Karapotó Plaki-ô – AL

Histórico dos Karapotó Plaki-ô

karapoto-plakioHistoricamente o Baixo São Francisco tinha vários grupos indígenas que foram evangelizados por padres Jesuítas entre os séculos XVI e XVII. Entre os grupos indígenas contatados pelos religiosos temos os Kariri, Romarí, Praki-ó, Aconã, Volvé, Natú, Xocó, Caxagó, Pankararú, Tupinambá, Caeté, Karapotó e muitos outros. Nesta região muitas tribos foram dizimadas pelos bandeirantes no século XVI para limpeza étnica imposta pela Coroa Portuguesa contra os Caeté no litoral alagoano e indiretamente a outros grupos principalmente os Kariri e Karapotó. Com a implantação das fazendas de criação de gado no Rio São Francisco os colonizadores moveram outros massacres para ocupar os territórios indígenas, isso foi se concretizando aos longos dos anos. A igreja apenas reuniu pequenas famílias de grupos sobreviventes nas chamadas missões religiosas de Pacatuba, São Pedro, Tomar de Gerú e Água Azeda em Sergipe que pertencia a Capitania da Bahia, no lado de Alagoas (que pertencia a Capitania de Pernambuco) foram fundadas missões de Urubu Mirim em Colégio, Jaciobá em Pão de Açúcar , Lagoa Comprida em São Bráz, enfim eram muitas missões . Os Karapotó viveram em várias missões em Pacatuba, Colégio, Águas Belas e Vila de Penedo . Mas este grupo viveu mesmo muito tempo na Missão de Colégio onde foram reunidos pelos padres jesuítas com os Kariri, Karapotós e Aconãs.

Como explicar a localização dos Karapotó no Rio Boa Cica onde vive atualmente a maioria deste povo indígena? A Missão de Colégio era possuidora de muitas fazendas de gado ao longo do Baixo São Francisco, estas propriedades eram doadas por devotos a Nossa Senhora da Conceição de Urubu Mirim. A Igreja de Colégio tinha as fazendas Itiúba, Panema,  Cabaças, Boa Cica, Maraba , Apreaca no total de 11 fazendas . Como as fazendas precisavam de trabalhadores para tomar conta do gado da igreja os Karapotó foram designados pelos padres jesuítas para a fazenda Boa Cica.

No século XVIII a Companhia de Jesus deixou o Brasil por ordem do Marques de Pombal, 1º Ministro de Portugal, e os padres jesuítas acabaram sendo expulsos da colônia. As fazendas foram leiloadas e vendidas aos colonizadores, e os Karapotó ficaram à mercê da própria sorte. O território foi ocupado pelos colonizadores e, posteriormente, pelo Barão de Penedo, que perseguiu os indígenas e destruiu a Aldeia Tinguí dos Karapotó no  Rio Boa Cica. A população foi dispersa nas imediações passando a negar sua identidade para sobreviver frente aos poderosos da época. Os indígenas passaram a trabalhar para os fazendeiros e senhores de engenho e muitos Karapotó, para manter suas tradições, foram para Colégio junto aos Kariri.

Tempos depois já no período da República lutaram pelos seus direitos e conseguiram reaver parte de seu antigo território no Rio Boa Cica e construíram uma nova Aldeia Karapotó Plaki-ô

Texto de Nhenety, Wima e Laura extraído de http://www.indiosonline.net/historia-dos-karapoto/

Quer saber mais sobre os Karapotó? Acesse http://www.thydewa.org/wp-content/uploads/2012/07/memoria.pdf